Prof. Galopim de Carvalho *

A Região de Colaride, na área a proteger, do ponto de vista da respectiva constituição geológica, estende-se por terrenos do Cenomaniano médio (Cretácico, com cerca de 95 a 97 milhões de anos), de natureza essencialmente carbonatada. Com efeito, as rochas mais frequentes sâo calcários mais ou menos margosos e argilosos, de tonalidade esbranquiçada e amarela, bem estratificados. Entre os fósseis mais frequentes destacam-se foraminiferos (Praealvolina iberica, Praealvolina cretacea, Pseudocyclamina rugosa, etc.) e alguns macrofósseis de bivalves (Exogyra pseudoafricana), gasterópedes (Pteroceras incerta) e raros equinideos.

Para sul, esta série passa ao Cenomaniano superior, com calcários de rudistas (Caprinula e Sauvagesia), gasterópedes (Nerinea) e amonites (Neolobites vibrayeamus), que passa superiormente as formações basálticas e piroclásticas (tufos) do Complexo Vulcânico de Lisboa (72 MA).

Os calcários do Cenomaniano são atravessados por estruturas intrusivas filomianas ou em chaminé, onde ocorrem basaltos e outras rochas microgranulares. Numa destas ocorrências existiu uma pedreira para extracção de brita basáltica, hoje desactivada, que constitui um bom documento deste tipo de manifestações magmáticas.

* Universidade de Lisboa. Museu Nacional de História Natural.








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